
Tenha um pouco de fé
Mitch Albom
No princípio houve uma pergunta. - Você faria meu discurso fúnebre? E como costuma acontecer com a fé, pensei que estivessem me pedindo um favor, quando, na verdade, era eu que o estava recebendo.
****
Em seu primeiro livro de não ficção desde A última grande lição, Mitch Albom conta a história real de uma marcante jornada de oito anos entre dois mundos - dois homens, duas fés, duas comunidades.
Depois de receber do rabino Albert Lewis o pedido para fazer seu discurso fúnebre, Mitch passa a visitá-lo nos fins de semana. Ao mesmo tempo que mergulha de volta no mundo de fé que havia deixado para trás, conhece Henry Covington, um ex-traficante e ex-dependente químico que se tornou pastor e agora tenta manter em Detroit uma igreja em ruínas e um projeto de assistência a moradores de rua.
Movendo-se entre esses dois mundos - cristão e judeu, branco e negro, de fartura e escassez -, Mitch observa como homens tão diferentes usam a fé de forma muito semelhante: o rabino de um bairro nobre, para receber a morte que se aproxima, e o pastor de uma periferia carente, para manter de pé a si mesmo e sua igreja.
Nas realidades desiguais, questões em comum se revelam: como enfrentar as dificuldades; o que é o céu; Deus e a importância da fé. Por trás de textos, preces e narrativas de cada grupo, a unidade entre os dois mundos transparece.
Tenha um pouco de fé é a trajetória de um homem em busca da crença superior que nos une, uma história sobre o sentido da vida, sobre a perda da fé e sobre ser resgatado por ela. É também um convite à reflexão e se a religião, em vez de construir barreiras, forjasse elos entre nós?
****
"Você faria meu discurso fúnebre?"
Albert Lewis era o mais próximo de um homem santo que Mitch poderia imaginar. E estivera a seu lado desde sempre. Rabino de um subúrbio tradicional de Nova Jersey, ele se tornara para toda a comunidade a voz e os olhos de Deus. Seus sermões eram eloquentes e sua imponente presença, sempre bem-vinda.
Mas isso era o que Mitch conhecia a respeito dele: sua performance no púlpito, o modo como mantinha a congregação fascinada quando falava. Agora, 25 anos depois de Mitch ter deixado a cidade e abandonado os rituais religiosos, esse homem que atuava como intermediário nas ligações com Deus lhe pedia que fizesse seu discurso fúnebre.
Preparando-se para essa tarefa tão especial, Mitch passou oito anos indo de Detroit, no Michigan, a Oaklyn, em Nova Jersey, todos os fins de semana, para visitar seu Rebbe e conhecê-lo melhor - e o pedido, que inicialmente parecera um favor, foi aos poucos se revelando um presente.
Enquanto se reencontrava com um passado religioso que deixara para trás, Mitch conheceu Henry Covington, um pastor que lutava para salvar sua igreja em ruínas e resgatar seus fiéis do mundo do álcool, das drogas e do crime ao qual ele mesmo já pertencera.
Esta é a história sobre a fé: sobre alguém que reflete a respeito de suas crenças enquanto aprende a lidar com as convicções religiosas dos outros; sobre dois homens que entregaram suas vidas à religião dos outros; sobre dois homens que entregaram suas vidas à religião e que souberam vivê-la, mais do que em preces, na caridade e na tolerância religiosa. Mas, acima de tudo, é uma história sobre a força maior que aproxima mundos diferentes de pessoas com objetivos iguais.